Acobertamento da vida sexual derruba suposto esquema do Padre Robson

Ao pagar chantagem com dinheiro em espécie, religioso desperta atenção da polícia que passa a investigá-lo

A vida do Padre Robson de Oliveira virou de cabeça para baixo nos últimos dias após ser acusado pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Civil de Goiás (PC), na Operação Vendilhões. Na investigação, o Padre é apontado como líder de um grupo que cometeu crimes por associação criminosa, apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e sonegação fiscal realizados no âmbito da gestão da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), presidida por ele, que também é reitor da Basílica de Trindade.

Depois das denúncias, o religioso foi proibido temporariamente pela Arquidiocese de Goiânia de “participar, realizar e protagonizar programas de televisão, rádio ou internet”, além de celebrar missas e fazer absolvição de pecados. A medida é válida até janeiro de 2022. Ele também foi afastado da presidência da Afipe.

O pároco é acusado pelo MP e pela PC na Operação Vendilhões por supostos desvios de doações de fiéis, que podem chegar a R$ 120 milhões. Mas toda essa trama foi descoberta a partir de outra, ocorrida em 2019. O processo corre em segredo de Justiça, mas parte do conteúdo vazou.

Welton Ferreira Nunes Júnior, um dos condenados por extorquir o Padre Robson Oliveira, afirmou em depoimento ter vivido um romance com o sacerdote. Pressionado e intimidado, Padre Robson cedeu à chantagem e pagou a extorsão no valor de R$ 2,9 milhões em espécie.

A polícia desconfiou da atitude do religioso e começou a investigar a Afipe desde então. O dinheiro foi pago para evitar que imagens de conteúdo íntimo de dois casos amorosos do religioso, sendo um com o próprio Welton, e informações que poderiam macular a imagem do sacerdote e da Afipe, fossem divulgadas pelos criminosos na época.

Ao terem acesso à contabilidade da Afipe, o MP e a PC descobriram os desfalques.

O portal Mais Goiás publicou trecho do processo. “Observa-se que os acusados foram responsáveis por transmitir as ameaças à pessoa da vítima [Robson], por meio de mensagens em aplicativos e e-mails. Nessas, disseram os acusados que a vítima possuiria relacionamento amoroso com diversas pessoas, inclusive com o próprio Welton”, consta na decisão do juiz Ricardo Prata, da 8ª Vara Criminal de Goiânia.

“Tinha foto dele com uma moça. Ela falando da data do primeiro encontro dele, essas coisas”, disse Welton no depoimento.

Defesa

Em nota, a defesa do Padre Robson afirma que todo o conteúdo utilizado na chantagem é falso, fato que comprova que ele teria sido vítima de criminosos de altíssima periculosidade.

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