Associações comerciais do Norte de Goiás sugerem alternativas para salvar empresas e empregos

Associações comerciais da Região Norte de Goiás, reunidas virtualmente no dia 13 de março de 2021 – (Foto Arquivo Uruaçu)

Entidades publicam carta aberta em que questionam medidas para conter a Covid-19 que podem decretar falência de estabelecimentos comerciais e reclamam que não são ouvidas pelas autoridades

CARTA ABERTA DAS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS DO NORTE GOIANO

As associações comerciais da Região Norte, reunidas virtualmente na data de 13 de março do corrente ano, de maneira unânime, decidiram por prestar os seguintes esclarecimentos acerca do fechamento/limitação das atividades comerciais:

Sabemos e entendemos da gravidade da pandemia do COVID 19, sendo as nossas instituições parceiras das autoridades competentes. Mas também sabemos e entendemos o caos econômico que vai se desenhando a nível nacional por conta dessas medidas, muita das vezes indiscriminadas e generalistas, de suspensão/limitação das atividades econômicas.

A realidade cotidiana dos nossos associados é uma crise financeira sem precedente, muitos já encerrando as suas atividades empresariais, demitindo em massa funcionários, não conseguindo mais pagar impostos e a sua rede de fornecedores.

Quadro econômico que em pouco tempo se voltará em aumento expressivo nos índices de violência, além da majoração de pessoas em condição de vulnerabilidade social.

Há cerca de um ano atrás, o Poder Público iniciou uma série de medidas de restrição à atividade comercial, sob o argumento de que o mesmo poder público necessitaria de prazo para montar a sua estrutura para absorção dos inúmeros casos de COVID que estariam por vir.

Diante dessas inúmeras exigências, o comércio acolheu e respeitou tais limitações, sobretudo através da adoção de medidas de prevenção, sendo indiscutivelmente hoje o comércio um dos ambientes sociais mais seguros em termos de prevenção ao COVID 19.

Nesse período em que o Poder Público solicitou um prazo para se estruturar em termos de saúde pública, vivenciamos uma eleição municipal de intenso envolvimento de toda a classe política, como se sequer pandemia houvesse, festas de final de ano e ainda alguns aproveitando o carnaval sem qualquer espécie de isolamento social.

Assim, nesse contexto em que o comércio se estruturou para continuar aberto, seguindo rigorosamente tudo o que lhe foi exigido, e que outros segmentos aparentemente não conseguiram fazer a sua parte, não é crível acreditar que será novamente o próprio comércio a ser injustamente penalizado por ações e/ou omissões de terceiros.

Estamos vivenciando em alguns municípios da nossa região a tomada de decisões que alteram por completo a rotina dos nossos estabelecimentos sem que sequer sejamos ouvidos ou ainda quando nos convidam figuramos como meros expectadores, vez que nossas sugestões não são ao final consideradas.

Reiteramos que queremos ser, como sempre fomos, parceiras das autoridades e das instituições, mas a classe dos comerciantes também precisa ser ouvida e acima de tudo respeitada.

Importante frisar que nessa nova onda de fechamento/limitação do comércio, não nos foi ofertada nenhuma possibilidade de suspensão de pagamento dos impostos ou suspensão do contrato do trabalho dos funcionários a fim de evitar ainda mais demissões e o próprio fechamento dos nossos estabelecimentos.

Um cenário sombrio vai se desenhando a luz do dia. Não há atividade comercial que resista a tudo o que está acontecendo. Estamos no limite e na iminência de testemunharmos uma chacina de CNPJs e de empregos se nossas autoridades não encontrarem formas de compartilhar prevenção e enfrentamento do COVID 19, com a preservação da nossa economia e dos nossos empregos.

Diante disso, sugerimos:

a) Diálogo constante, permanente e respeitoso entre a classe dos comerciantes com as autoridades, sejam elas a nível federal, estadual ou municipal, do Executivo, Legislativo e Judiciário;

b) Ampliação no horário de funcionamento dos estabelecimentos a fim de que a concentração de pessoas seja reduzida. Ampliação esta que deve ser, sobretudo, aplicada as instituições financeiras e as lotéricas, estabelecimentos que promovem inegável aglomeração;

c) Políticas públicas que visem à suspensão de impostos a nível federal, estadual e municipal;

d) Políticas públicas que visem à suspensão do contrato de trabalho para os estabelecimentos que assim necessitarem para não causar mais desemprego;

e) Ampliação da vacinação para toda a população, em atuação coordenada entre os governos federal, estadual e municipal, solicitando a estes últimos que procurem atuar em consórcio para auxiliar na aquisição desses itens;

f) Manter exigências de prevenção e proteção ao COVID em todos os ambientes sociais, inclusive o comércio, autuando e até fechando aqueles que não respeitem tais medidas, mas sem que isso signifique o fechamento/limitação indiscriminada de todas as atividades comerciais.

As associações comerciais da região norte estão de fato alarmadas com tudo o que está ocorrendo por conta da pandemia do COVID 19, fazendo um apelo a nossa população para que seja zelosa e cuidadosa, evitando ao máximo contato social, mas também defende o direito da mãe e do pai de família em lutar pelo seu sustento, trazendo alimento e dignidade para o seu lar.

Norte goiano, 15 de março de 2021.

ACIAH – Associação Comercial e Industrial de Alto Horizonte

ACIB – Associação Comercial e Industrial de Bonópolis

ASSOCIC – Associação Comercial e Industrial de Campinorte

ACIC – Associação Comercial e Industrial de Crixás

ACIA – Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Estrela do Norte

ACIAMAR – Associação Comercial, Industrial e Agronegócios de Mara Rosa

ACIN – Associação Comercial e Industrial de Niquelândia

ACIAP – Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Porangatu

ACIASMA – Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de São Miguel do Araguaia

ACIAU – Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Uruaçu

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